quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Encontro anual dos membros da Região Mãe da Misericórdia -RJ

Entre os dias 14 a 16 de novembro na paroquia de São Benedito em Itaperuna, aconteceu o encontro anual dos membros da Região Mãe da Misericórdia -RJ.
O encontro começou com a oração do terço da Divina Misericórdia junto com a comunidade paroquial, presidido pelo Reitor Regional Pe. Estevão Lewandowski. Em seguida todos participaram da benção da nova casa paroquial.

A maior parte do encontro teve a colocação do Pe. Jan Korycki, postulador do processo da beatificação da Beata Elisabetta Sanna. Ele chegou da Polônia para divulgar para todos a pessoa e o carisma da Beata, em preparação da peregrinação das relíquias da Elisabetta Sanna que vai acontecer na América Latina.



Durante o encontro teve também ocasião para escutar o relatório do Ecônomo, formadores, reitores da comunidade de Portugal e Amazonas e partilhar as experiências de cada membro. Com grande alegria participamos da oração do terço junto com a comunidade paroquial e das Santas Missas. Primeiro na paróquia de São Benedito, presidida pelo bispo diocesano de Campos dos Goytacazes, Dom Roberto Francisco Ferreira Paz, por ocasião de 30 anos da presença Palotina nesta paroquia. Durante a homilia Pe. Daniel Rocchetti, Secretário da Região, destacou a importância de juntar nossas forças, com ajuda de Deus para dar bons frutos no trabalho.


No segundo dia participamos da Eucaristia em ação de graças pelos 50 anos da paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fatima em Itaperuna – Vinhosa, onde fomos recebidos pelo pároco Pe. José Stępiński. Durante a homilia Pe. Jorge Chmielecki, Conselheiro da Região, lembrou sobre a importância da fé para com ajuda de Deus, vencer as dificuldades.


No último dia com alegria celebramos a festa da Mãe da Misericórdia, padroeira da nossa Região, agradecendo a Deus pelos 44 anos da Missão dos palotinos poloneses no Brasil. Durante a homilia o Reitor Geral destacou a Mãe da Misericórdia como exemplo de discípula missionaria.

Páscoa do Sr. Raimundo Nonato

A Região Mãe da Misericórdia, da Sociedade do Apostolado Católico comunica, com pesar, o falecimento do senhor Raimundo Nonato, pai do Pe. Jurandir Nascimento, atual pároco da paroquia Santa Rita de Cassia em Itaperuna. O senhor Raimundo faleceu na tarde dia 15 de novembro.

Unimo-nos em oração com os familiares do Pe. Jurandir, nesta hora difícil, pedindo para eles a forca que só Deus Pai pode dar para eles. Que a Mãe da Misericórdia acolha o Sr. Raimundo no Reino preparado para todos pelo Pai Eterno.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Apóstolos hoje - Outubro de 2017

O DIÁLOGO NO CAMPO DA ECONOMIA
A Economia é uma das Ciências Sociais que nos ajuda no correto funcionamento de um mundo desenvolvido segundo a vontade de Deus e o que resulta das palavras escritas na Bíblia, Gênesis (1,26): e Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, que reine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, sobre todos os animais selvagens e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra.”
Este é o mundo que recebemos como dom, desde a origem da criação, com a finalidade de uma correta gestão, ativa e cuidadosa. A administração ativa e cuidadosa (domínio) não é recomendada somente pelo Evangelho, mas também pela lei particular, estabelecida pelas nossas Congregações e ainda pela União, como foi enfatizado pelo Padre Friedrich Kretz SAC, na sua introdução ao texto sobre administração econômica da Sociedade.
Este “domínio” expresso na ciência econômica consiste no método e no uso de vários instrumentos para a “administração”, vale dizer uma gestão responsável, que cuida daquilo que nos foi dado e confiado.
Para poder cuidar conscientemente, da administração segundo a vontade de Deus, é necessário incluí-Lo neste diálogo, como Criador daquilo que nos foi dado como dom. O Diálogo na Economia, o diálogo de Deus, ocorre em diversos níveis: comunitário e pessoal. Este diálogo diz respeito a todos, pessoalmente, segundo a própria situação e condição. Este interessa ao proprietário, ao gerente, ao supervisor, ao funcionário e a quantos participam do fruto do próprio trabalho. Somos todos protagonistas no mesmo diálogo.
Deixamos a Economia global aos espertos deste mundo que, como nós, deverão ao final prestar contas da sua administração. (Lc 14, 25-33).
Continuando esta reflexão, quero partilhar a minha experiência pessoal de diálogo na área da Economia, a respeito do meu relacionamento com Deus, com outras pessoas e comigo mesmo; oferecerei algumas indicações, talvez até algumas sugestões, modelos que foram muito úteis para ajudar-me a permanecer ativamente comprometido neste diálogo.
A essência no início deste difícil diálogo com Deus, na gestão da propriedade, é um convite do próprio Deus de trabalhar, ganhar, economizar, gastar e administrar. O fruto deste convite é a libertação, dada por Deus mesmo: todos os bens pertencem a Ele e tem n’Ele o seu início. Colocar Deus em primeiro lugar – porque nem tudo depende exclusivamente das minhas capacidades pessoais, da educação, da minha descoberta, da necessidade de possuir e de criar um mundo à minha imagem antes da imagem d’Ele – é um ato de confiança que ao invés de dizer “Jesus, eu confio em mim”, dizer “ Jesus, eu confio em Ti
Muito tempo passou antes de entender e aceitar tudo isto, que se tornou uma espécie de conversão, metanóia e libertação. Tal conversão provavelmente é mais difícil para os leigos, porque a vida deles é muito ligada às habilidades que possuem para adquirir tais bens; mas esta conversão é necessária também na vida consagrada para compreender a vontade de Deus, quanto a posse e administração desses bens materiais.
A consciência que aquilo que tenho não é meu, mas algo que recebi para administrar bem, muda a maneira de olhar o mundo, o trabalho, o ganhar, investir e conservar. É uma conversão que dá vida como dizem as Escrituras: “Convertei-vos e vivereis”. (Ez 18,32). Não é fácil adquirir tal consciência, cada dia exige conversão, oração, diálogo, dando uma “relação de gestão”, uma contínua renovação da amizade com Deus, ao qual tudo pertence.
São Vicente descobriu recursos econômicos pertencentes de modo exclusivo a nosso Senhor Jesus Cristo e como patrimônio dos seus pobres. (cf Lei SAC n. 26).
Na realização do meu trabalho, no meu diálogo cotidiano com Deus, procuro dar o meu tempo completamente a Deus, minhas capacidades, minhas decisões, meus colaboradores, funcionários, e as pessoas que encontro durante o dia, com o objetivo de ser um instrumento útil “na vinha do Senhor”
Na oração, junto a Deus, encontro as soluções dos problemas profissionais ou outras tarefas a mim confiadas. Às vezes a resposta vem imediatamente, mas com freqüência preciso de mais tempo para que meu coração seja aberto e pronto.
O melhor lugar e momento para falar destes temas ligados ao trabalho são na Sua presença no Santíssimo Sacramento ou no Sacramento da Penitência. Nestas duas realidades de Sua presença, a resposta às questões, que lhes dirijo, chega ao coração ou diretamente aos ouvidos. Muitas vezes confio meu trabalho e meus deveres profissionais a Deus, através dos Santos, mas sobretudo a São José operário.
Ó, São José, protetor de Jesus, esposo castíssimo de Maria, que passaste a vida no cumprimento perfeito do dever, sustentando com o trabalho manual a Sagrada Família de Nazaré, protege com bondade a nós todos que, confiantes, a ti nos dirigimos.Tu conheces as nossas aspirações, nossas angústias e nossas esperanças: e a ti recorremos, pois sabemos que tu nos compreendes e nos proteges. Também tu experimentaste a provação, a dificuldade, o cansaço; no entanto, mesmo em meio às preocupações da vida material, teu espírito repleto da mais profunda paz exultou de inefável alegria pela intimidade com o Filho de Deus, a ti confiado, e com Maria, sua dulcíssima Mãe. Permite que também nós compreendamos que não estamos sozinhos em nosso trabalho, mas saibamos descobrir Jesus ao nosso lado, acolhê-lo com a graça, guardá-lo fielmente como tu fizeste. E faze que em cada família, em cada ambiente, em cada laboratório, onde quer que um cristão trabalhe, tudo seja santificado pela caridade, paciência, justiça, pela busca do bem, a fim de que desçam em abundância os dons da predileção celeste. Amém       (Oração do Papa São João XXIII)
Confiar, descobrir e consentir que Deus nos guie, ajuda-nos a entrar em diálogo pessoal com Ele, às vezes nos permite avaliar uma situação econômica particular e, se necessário, de fazer escolhas concretas.
Propomos um exemplo particular.
Uma vez, contemplando os Mistérios Gozosos do Rosário fiquei impressionado com o fato que no próprio significado dos mesmos é possível encontrar uma resposta a respeito da oportunidade de escolher um particular serviço econômico e criar um estudo sobre sua “viabilidade”.
No início, antes de uma nova idéia de trabalho, de produção, projeto a ser realizado, deve-se seguir a lógica da Anunciação: um certo pensamento, a iniciativa de Deus, o chamado do Anjo: “Podes fazer”, ou “talvez isto pode ser importante fazer”. A Anunciação é um início exato do processo, a concepção de uma idéia, é o verdadeiro início. A Anunciação é também o pulsar das batidas do coração, uma “tempestade cerebral”, quando aparece uma “nova” idéia maravilhosa. Mas no Mistério da Anunciação há ainda muita incerteza, uma resposta ainda a ser dada: qualquer coisa acontecerá? O que será? É realmente a vontade de Deus?
O próximo passo é fazer uma outra avaliação, para procurar reduzir o risco e ver se a nossa idéia é original, única e inovativa, porque somente tal característica e o modo de agir a nossa idéia podem garantir seu futuro sucesso (e mostrar se verdadeiramente é “inspiração de Deus”). É importante confrontar nosso projeto, com aquilo que já está no mercado, para ver se há algo semelhante a nossa idéia. Com freqüência há muitos produtos semelhantes, mas somente alguns tem sucesso. A visita de Maria a Elizabete confirmou que o filho era o Messias. O filho de Elisabete mostrou de ser “profeta”, indicando e revelando no filho de Maria, o “Messias” prometido, “Consagrado do Senhor”.
Caso a sua idéia é “inspiração de Deus”, pode cantar o Magnificat e acolhê-la como um instrumento nas mãos do Pai, para ajudar a “salvar o mundo”. Se diz que se trata de um “profeta”, a decisão de dar-lhe vida recai sobre você, mas a possibilidade de sucesso pode ser muito mais difícil de alcançar.
Vamos ao Mistério do “Nascimento”, um nascimento no qual a idéia se torna realidade e completa o plano da criação de Deus. Este Mistério se pode meditar depois, da revelação aos pastores, a Epifania do “Nascimento” e assim por diante, como sugere o Senhor. O nível do detalhe deste projeto pode ser elaborado no decorrer do diálogo, que inicia onde e quando Deus é convidado.
No Mistério da “Apresentação do Senhor”, somos convidados a entregar a Deus, aquilo que já, a Ele, pertence. Meditando este Mistério, procuro às vezes compreender a natureza da ação de Deus em mim, que trouxe a realização da idéia, para colocar tudo novamente sob os seus cuidados. Nesta oferta há também uma dimensão pública, que inclui a promoção, o marketing e todas as suas conseqüências.
No Mistério do “Encontro de Jesus no templo”, nos encontramos diante do problema da sustentabilidade do produto. Se o produto ficou no mercado por doze anos e continuamos a encontrá-lo na economia divina que cria e desenvolve o mundo, (mesmo que seja uma coisa pequena, visto que não sabemos quem e o que nos orientará no futuro) significa que conseguimos o equilíbrio, no campo econômico e no campo de Deus, ao mesmo tempo.
Em outros Mistérios do Rosário podemos encontrar outras conexões, comparações e sugestões, mas deixo isto para a meditação pessoal.
Um exemplo de conexão entre a oração e reflexão dos Mistérios do Rosário, na abertura ao diálogo na economia da vida cotidiana, é uma atitude que, talvez, não seja a melhor, mas que mostra a possibilidade de procurar e encontrar um espaço de diálogo econômico numa esfera exclusivamente ligada ao contato com Deus.
O diálogo leva sempre a cooperação, a esta “cooperação santa”, e não somente com Deus, mas também com as pessoas que convidamos a colaborar.
A finalidade de cada diálogo é sempre a de compreender melhor a outra pessoa, a sua fé e aprofundar a compreensão da própria fé, no ser apóstolo onde Deus nos envia.

Perguntas para reflexão pessoal e comunitária:
1.     Ter consciência e o sentido de responsabilidade que toda a minha vida (compreendendo o dinheiro e as finanças na vida cotidiana) e todas as ações constituem minha participação ao plano da criação de Deus para o mundo?
2.     O meu diálogo com Deus envolve também a questão da minha vida cotidiana, do trabalho, da gestão dos bens?
3.     Qual é minha responsabilidade no local onde trabalho e com as pessoas com os quais trabalho? Rezo pelos meus chefes, funcionários, colaboradores e superiores?

                                            Marek Kalka,
UAC Polônia

sábado, 21 de outubro de 2017

Apóstolos Hoje, Setembro de 2017

“DIÁLOGO, UM CAMINHO QUE NOS LEVA A NÓS MESMOS, A DEUS E AO OUTRO.”

      
Há diversos tipos de diálogo, mas me deterei apenas em dois, que julgo serem a base para os demais.
üO diálogo interior: É o mais exigente. Ele é um processo necessário para o crescimento do ser humano em sua consistência. É neste diálogo interior que se manifesta o mundo das relações conscientes e inconscientes do humano e do divino.
üO diálogo exterior: É com tudo aquilo que se adiciona à nossa existência, da parte de fora de nós mesmos, criando desejos nem sempre são necessários à nossa existência, mas ambos são pertinentes entre si; pois a comunhão dos dois favorece a construção sólida da identidade da pessoa e do mundo em que se vive.
       Para a nossa família Palotina, tal diálogo é, ou ao menos deveria ser, fruto de uma experiência anterior, pois a pedagogia de Pallotti nos remete ao Cenáculo onde se aprende e somos capacitados para o apostolado universal. Pela falta de uma tão profunda experiência pessoal do Cenáculo e do seu poder transformador vem à luz nosso limite como pessoas, com a correspondente limitação ao apostolado.
       Uma ação apostólica efetiva requer  a compreensão e valorização de  si e do mundo em que nosso apostolado é realizado, uma compreensão do emissor e do receptor da mensagem da pessoa e da cultura.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       No episódio de Pentecostes, todos compreendiam o que os apóstolos falavam (Atos 2,8), todos entendiam a mensagem de salvação apesar de serem pessoas de línguas e culturas diferentes. Aquele diálogo gerou a comunhão entre pessoas e culturas.
A cultura de hoje continuamente nos influencia a nos tornar cada vez mais consumidores de coisas e idéias. Até mesmo uma simples propaganda de um chocolate tem o poder de provocar em mim esta pergunta: isto é necessário neste momento para mim? Da mesma forma acontece em relação a muitas outras coisas, que são desnecessárias para sermos felizes. Para muitos, o ter é mais importante que o ser.
       O diálogo externo fabricado pela ganância de poucos tem causado a carência, a pobreza, a falta de um sentido profundo interior do coração humano. Por isso, há mais interesse de conhecer o diferente, porque não se conhece a riqueza do próprio interior (conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará - Jo 8,32).
       As pessoas às quais desde muito cedo foi oferecido um espaço de diálogo, não terão dificuldades de experimentar e manifestar ao mundo externo a consistência do seu mundo interior.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       Em todos os povos a família é central na formação da pessoa, com a riqueza e as imperfeições de cada membro. O diálogo entre os membros inclui a interação entre as gerações e possibilita desta maneira a transmissão de uma duradoura identidade com as devidas características de seu grupo cultural e social.
       As culturas que foram evangelizadas pelos cristãos, logo encontraram na tradição cristã-apostólica uma compreensão do evento salvífico pelas palavras de Cristo após sua morte. Fiéis ao mandamento de Jesus, os apóstolos levaram a mensagem de salvação a todos os povos, pelo diálogo, acompanhado por sinais dos efeitos do anúncio evangélico nos corações dos ouvintes da Palavra. (Ide pelo mundo afora e pregai o evangelho a todas as nações; Mt 28,19, Mc 16,15).
       A vida na modernidade tornou o encontro consigo, com o outro e com Deus muito mais difícil. Há muitas conversas, muito conhecimento do mundo exterior, mas há muito vazio no interior das pessoas. Somos quase forçados a sermos espertos no conhecimento de coisas. No que se refere ao ser humano em si, parece que cada vez mais desconhecemos o poder da nossa natureza. Os encontros com outros muitas vezes tem revelado a inconsistência do ser humano.
       O diálogo de Jesus com os discípulos a caminho de Emaús é um modelo maravilhoso de encontro que leva à vida nova. Jesus começou fazendo-lhes uma simples pergunta a respeito daquilo que estavam conversando, deu-lhes a oportunidade de expressarem tudo o que lhes estava pesando no coração a respeito da situação atual. Somente depois de os escutar atentamente, compreendendo a profundidade de sua dor e angústia, Ele lhes dirigiu uma palavra, capaz de gerar vida e provocar mundança de vida, uma palavra que tinha o poder de penetrar, aliviar seu desespero e desafiá-los a olhar sua situação e sua vida com olhos novos, abertos à esperança que vem do Evangelho. Somente mais tarde, depois que o Senhor lhes abriu plenamente os olhos, eles reconheceram o poder misterioso do diálogo e o efeito que este provocou dentro deles: “Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? (Lc 24,32). Foi através do aprender e escutar de novo, com ouvidos e olhos novos, que seus corações foram transformados, que foram reconfirmados como discípulos Daquele que doou sua vida por eles, tornando-se testemunhas e presença de sua vida ressuscitada.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       O diálogo com autoridades tem-se mostrado frequentemente infrutífero e não gerador de comunhão, com pouca compatibilidade de pensamentos. Parece que temos homens e mulheres infantis em suas relações. A crise do ser humano se instalou pela crise de autoridade; temos muitos autoritários, e poucas verdadeiras autoridades. Autoritarismo envolve a ausência de presença afetiva, pois é pelo afeto que adquirimos aquela maturidade de adulto, que é capaz de acolher o outro sem perder a sua identidade.
       No meu pensar vejo que seja urgente aprendermos a perceber, a explicar e a integrar em nossa praxe os verbos: sentir, ouvir e ver, pois estes verbos são os responsáveis para que haja diálogo autêntico e consistente entre as pessoas. A consciência do sentimento é base do diálogo interior. O que ouvimos é base do escutar, do saber abrir-se para outros valores. O que vemos, forma a base de nossa visão geral a respeito da totalidade que se manifesta na nossa existência e no mundo em que vivemos.
       No diálogo como instrumento para a libertação, há um princípio que usamos na nossa comunidade terapêutica, Mãe do Divino Amor, na recuperação de jovens masculinos dependentes químicos, que fazem residência em nossa casa. “As doenças que atingem a alma, entram pelos sentimentos, pelo que ouvimos e pelo que vemos. A doença sai pela boca, ou seja, se não falamos o que sentimos, não há recuperação.
       Os dez anos desse apostolado caritativo a pessoas com dependências químicas e/ou afetivas em recuperação, tem nos mostrado que quanto mais se fala do que se sente, mais rápido se adquire ou readquire a sanidade da alma. Todo o processo terapêutico está baseado no amor.
       O amor cura: desintoxicação do corpo
       O amor salva: perseverança, quem perseverar será salvo do traficante, da morte, do julgamento, da criminalidade, culpas, rejeições etc...
       O amor liberta: conhecer o próprio mundo interior, perceber o que os levou a prisão dos afetos doentios e das drogas.
       O amor reconcilia: consigo mesmo, com Deus e com os outros, ou seja, faz a reparação do que se fez de desonesto.
       Vivendo com estes irmãos, identificamos que as causas que os levaram a tal sofrimento são inúmeras, mais a maior é a falta de diálogo. Tal falta de comunicação pelo diálogo afetivo, particularmente com aqueles tem autoridade em suas vidas, com os primeiros responsáveis, os tornaram frágeis, sujeitos a caírem na armadilha da dependência química e afetiva.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       Assim, o carisma de nosso Santo fundador São Vicente Pallotti, continua sendo uma luz para os homens e mulheres de hoje, como foi para as pessoas do seu tempo. Esta herança pertence a todos os Palotinos (Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos).
Somos chamados a sermos luz para cada filho e filha de Deus, qualquer que seja a miséria ou sofrimento em que se encontre. Pois a graça do nosso batismo nos qualifica para tal fim. “Cada um que se arma do sinal salutar da santa cruz, pode estar certo de fazer tudo aquilo que é da maior glória de Deus e para bem da própria alma e da alma do outro.” (Cf. OOCC III. 449-450).
Em Amoris Laetitia, o Santo Padre, Papa Francisco diz: a pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam, estimulam. Por exemplo, aqui são algumas palavras que Jesus Cristo  dizia para as pessoas: “coragem filho, teus pecados estão perdoados” (Mt 9,2). “Vai em paz” (Lc 7,50). Não tenhas medo! (Mt 14,27). (Amoris Laetitia N°100).
Todas estas palavras deveriam ser divididas, nas nossas famílias e comunidades, onde o fraco se torna forte, o medroso toma coragem, o pecador alcança a santidade.
Em resumo: O diálogo é uma porta que nos leva ao conhecimento do mistério humano e divino.

Perguntas:
  1. Que diálogo temos com o nosso mundo interior; o que não quero ver e por quê?
  2. O nosso apostolado tem revelado o carisma palotino aos pobres de hoje?
  3. Que tipo de dependência temos que nos impede de sermos a imagem e semelhança de Deus amor, a nós mesmos e a outros?

                                                  Fr. José Orlando de Carvalho da Cruz, SAC.

                                                  Brazil

sábado, 14 de outubro de 2017

Festa de Nossa Senhora Aparecida

Festa de Nossa Senhora Aparecida na Paróquia de São Benedito em Itaperuna